Despertares II

•Maio 11, 2010 • Deixe um Comentário
Maria says:
 tive hoje um sonho recorrente: entrar numa casa que está a cair
Oliveira says:
 era a tua?
Maria says:
 não
 nem sei qual era
 pisas um chao q se vai esboroando
Oliveira says:
 mas cai o tecto ou desfaz-se o chão?
Maria says:
 desfaz-se o chão
Diogo says:
 ficar sem chão é o pior pesadelo
 antes nos caia o céu em cima
Maria says:
 já não é a primeira vez. Às vezes penso q é a casa da minha avó
 noutra não sei. Suponho que seja a cena é andar com medo
 sempre à espera que o chão desabe
Diogo says:
 agora tens que sonhar que voas
 assim não precisas de chão firme
 qualquer galho serve
Maria says:
 ahahah
 era bom
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Despertares

•Abril 21, 2010 • Deixe um Comentário



Diogo says:
  hoje sonhei que voava.
Maria says:
 sonhaste?
 a sério?
 tipo bartolomeu de gusmão?
Diogo says:
 sim. Mas sem máquina nem asas. Voava apenas porque sim, porque era capaz
Maria says:
 lindo
Diogo says:
talvez tenha sido o respirar do meu filho, que dormia comigo
não sei…
alguma coisa me embalou de volta ao tempo do sono perfeito

Outra casa

•Dezembro 7, 2009 • Deixe um Comentário

Esta.

Não quero saber de ti

•Novembro 24, 2009 • Deixe um Comentário

Só te lamento amanhã. Hoje ainda não sei de ti. Andas a cirandar pelo fim do mundo e nem um postal. Passou o meu aniversário outra vez e outra vez te esqueceste. Mas isso já foi antes de ontem, tu nunca ligas e eu já nem ligo. Melhor assim. Quem dera sempre assim, ficar neste hoje sem notícias tuas, não saber de ti amanhã, o dia em que me vais morrer pela vida adentro e desarrumar tudo até à última certeza. Hoje andas a cirandar pelo fim do mundo. Deixa-te andar. Hoje não quero saber de ti.

É hora

•Maio 6, 2009 • Deixe um Comentário

Dói-me esta luz. Este timbre de tarde à hora das memórias perfeitas. Lembro que o meu pai se despediu a esta hora. Apagou-se com esta luz. Venceu o escuro da noite, suportou a excessiva claridade da manhã e só parou de se bater com a dor de respirar quando esta luz se assomou, à hora das memórias perfeitas, do tempo em que ele era gigante e eu corria nu por uma praia ao sul a perguntar-lhe se era capaz de suster o peito e ir ao fundo do mar. E ele sustinha e ia. Depois susteve até não poder mais e foi. A luz ficou e repete-se, sempre que chega o seu tempo, redentora e pontual, e não me dói por ele, porque hoje é luz de presença que me chega sempre com o meu pai pela mão. Dói-me porque é um postal de tudo o que não pode durar, metáfora do mundo. É aquela luz àquela hora. Lembras-te? Dizias-me: aquela luz. E era quanto bastava. Eu sabia e saía a correr para bebê-la num trago sôfrego. Foi nessa luz que melhor nos soubemos, sem saber nem querer o depois. A luz do agora, perfeita porque se extingue, luz de fim, de tarde, da urgência, do agora, sensual e sentida, de todos os sentidos, de cheiros, sons e sabores, luz de prazer que se esvai, suspensa dos dias na fronteira das noites. Não há memória que não se acenda neste calor manso. Nem dores de alma, corno ou cotovelo que valham esta hora.

Retomaremos a emissão dentro de momentos

•Maio 6, 2009 • Deixe um Comentário

mira-tecnica-de-televisao

Do silêncio. A viver das palavras dos outros

•Fevereiro 17, 2009 • Deixe um Comentário

Yes, in my life, since we must call it so, there were three things, the inability to speak, the inability to be silent, and solitude, that’s what I’ve had to make the best of.

 

Beckett